HISTÓRICO DO MINUANO CTG

“O 3º CTG FUNDADO NO RIO GRANDE DO SUL”

A origem do surgimento dos CTGs é mais ou menos assim, pois não existem relatos factuais (em ata) para descrever corretamente como ocorreu. Os fatos aqui contados são passados de geração em geração. A história que se sabe sobre como o CTG foi criado é que depois da criação do 35 CTG de Porto Alegre o movimento começou a espalhar-se pelo interior do Estado.  O segundo Centro a ser criado foi o CTG O Fogão Gaúcho do município de Taquara e o terceiro viria para a região de Palmeira das Missões, pois necessitavam crescer montando como estratégia criar Centros Tradicionalistas nos limites do Estado. Como Iraí estava no seu apogeu financeiro e organizacional esse foi então o local escolhido para o terceiro Centro de Tradições Gaúchas do Estado, já que tínhamos fortes influentes políticos atuando em nossa comunidade, assim se deu a criação do Minuano CTG.

Em meados da década de 1940, o senhor Tito Fernandes Guerra, médico na cidade de Iraí, sentiu vontade de estruturar um grupo artístico para fazerem apresentações de danças conhecidas e que foram resgatadas por Paixão Cortes e Barbosa Lessa.

Ele como Bandeonista juntando mais alguns talentos formaram um grupo que passou a se encontrar periodicamente. Como nessa época a cidade de Iraí encontrava-se em seu apogeu econômico, devido a seus grandes atrativos turísticos não foi difícil reunir um grupo que mais tarde formou o Minuano CTG.

Foi no ano de 1949, mais precisamente, em 14 de março, em reunião no já extinto Cassino Guarani foi fundado o Minuano CTG, tendo como patrão provisório o senhor Antonio Luciano Martins como consta em registro no cartório de registros civis e também em ata exposta no “jornal A Voz de Iraí” periódico da época, do dia 25 de setembro de 1949, ano I, nº 2, neles consta os estatutos aprovados e a primeira diretoria provisória. Porém o Dr. Tito Fernandes Guerra fez parte da administração, participando efetivamente/ativamente desde a fundação até seu afastamento do município em 1965, ficando assim conhecido como o primeiro patrão do Minuano CTG por um longo período.

A primeira diretoria “provisória” do <<MINUANO- Centro de Tradições Gaúchas>> foi assim constituída: Presidente: Antonio Luciano Martins; Vice-presidente: Dr. Tito Fernandes Guerra; 1º Secretário: Dr. João Carlos Dick; 2º secretário: Tte. Wilson Assis Ferreira Lopes; 1º Tesoureiro: Sylvio Raya; 2º Tesoureiro: Silio Grebin. São ainda sócios fundadores os senhores: Israel Farrapo Machado, Dr. Tarso Dutra, Dr. Vinicio João Motti, Dr. Lauro Franco Leitão, Dr. Paulo Sergio Annes, Vitor Hércules Peukert, Armindo Bastian, Doralino Radaelli, Tilly F. dos Santos, Brasil Tavares da Silva, Gentil Prestes Costa, Oscar Egert, Francisco Albano Lucca, Jurandir Egert, Vergilio Radaelli, Ernesto Triches, Eurico Nunes da Silva, Helio Py Silveira Martins, Romano Meneguzzi e Jayme Cerutti.

O Minuano Centro de Tradições Gaúchas foi fundado por um grupo de gaúchos que tinham forte influência política na comunidade. Tanto é que um dos fundadores, o Sr. Israel Farrapo Machado, ex-prefeito, declarou feriado municipal o dia 20 de setembro, através da lei municipal nº 133 de 29/12/1951 que entrou em vigor na presente data, portanto, 20 (vinte) anos antes de o Estado tornar ponto facultativo à referida data, pois, segundo a lei, era em homenagem à data magna do Rio Grande do Sul e aos bravos homens da gloriosa Epopeia Farroupilha.

As primeiras programações do Minuano CTG eram feitas, normalmente no Cassino Guarani, pois o CTG não tinha sede própria. Também eventualmente eram usados outros locais, como o Clube Cruzeiro, para realizarem atividades e reuniões, inclusive depois da sede fundada. Uma coisa muito marcante é que as pessoas eram convidadas para os eventos através de cartas convite sempre endereçadas ao provedor da família (homem da casa), porém as mulheres também participavam da organização e execução das tarefas.

Em um primeiro momento a tentativa era de construir o CTG na área junto à escola Visconde de Taunay ao lado da prefeitura municipal, no centro da cidade, próximo a Estação Rodoviária de Iraí, mas não obtiveram êxito. A área onde esta localizado o Minuano CTG hoje, foi doada pelo município no governo do prefeito Sr. Primo Teston e estava em uma região bastante distante do centro do município. No dia 02 de junho de 1959 o prefeito municipal Primo Teston sanciona a lei nº 431 onde foi aprovada pelos vereadores a doação de 6 (seis) lotes urbanos (8,9,10,11,12 e 13) para a construção da sede, logo a patronagem começou a construir o prédio que foi assinada pelo Arquiteto Dr. Moacir Moojen Marques da capital gaúcha. No ano de 1963, mais especificamente no dia 22 de junho, foi inaugurado o prédio onde fica atualmente a sede deste centro. Seu modelo estava embasado em uma Estância (A estância gaúcha tradicional é formada pela casa, onde moram o proprietário (ou patrão) e sua família; pelo galpão (ou galpões), onde vivem os peões e que é um reduto exclusivamente masculino; a casa do capataz, onde este vive com sua família; o potreiro; os currais, para encerrar o gado; o piquete; as invernadas, onde o gado é cuidado) https://pt.wikipedia.org/wiki/Estância. Tanto é que o CTG ficou conhecido por um período como “Estância do Minuano”.

A “casa” tinha varandas, na frente e nos fundos, no centro um amplo espaço para a realização de festividades. Com o passar dos tempos essas varandas foram incluídas dentro do prédio, pois o espaço interno estava ficando pequeno e mudanças foram realizadas para melhor receber os convidados. O telhado tinha o modelo de quatro águas e cobria toda a extensão do prédio. No pátio foram criados ranchos (galpões) onde são realizados os acampamentos para a Semana Farroupilha até os dias atuais.

Algumas prendas do Minuano CTG participaram do Concurso da Mais Linda Prenda do Rio Grande Do Sul. A primeira prenda a participar foi a Srta Juraci Triches. Destaca-se também no ano de 1967 a participação da Srta Rosa Maria Mussolini no concurso realizado em Taquara. Outras prendas também a precederam.

A partir de 1965 a parte Campeira cresce bastante. O CTG consegue junto à administração do município uma área, junto ao Rio Uruguai, para a construção da Invernada Hípica, onde aconteciam “carreiradas” de cancha reta, jogos típicos gaúcho e rinhas de galo. Durante vários anos, cavalos de todo o Estado e também de Estados vizinhos, bem como países vizinhos ao nosso, participavam de competições hípicas onde envolviam muito dinheiro que eram apostados junto aos coordenadores campeiros do CTG.

Com o passar do tempo o CTG foi evoluindo, promovendo vários eventos a nível municipal e regional. Também participou de eventos no estado do Rio Grande do Sul e em outros países como Argentina e Paraguai.

Nos anos finais da década de setenta (70), a sede do CTG foi usado para a realização de rinhas de galo e outras atividades fora do tradicionalismo, que tornaram o ambiente um pouco infrequentável.

Mais tarde no ano de 1983, já com a retomada do tradicionalismo, é importante registrar que Lourdes Helena Soares conquista o cargo de Primeira Prenda da 17ª Região Tradicionalista, região da qual o Minuano CTG era filiado, já que nesta época a 28ª Região Tradicionalista ainda não fora fundada.

Na década de oitenta (80), era ativo um grupo folclórico artístico cultural que levava o nome de Jaime Teston, que se mantinha com recursos obtidos de apresentações que realizavam em hotéis da cidade, nos quais ao final, “passavam o chapéu”. Este grupo colaborou com a divulgação do CTG. O grupo Jaime Teston manteve-se durante vários anos, paralelo ao Minuano CTG, desfazendo-se em 1993.

A partir dos anos 1980 os encontros de patrões e prendas tinham como objetivo colocar os CTGs a par dos acontecimentos do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Na oportunidade havia apresentações artísticas.

O Minuano orgulha-se em sediar as Semanas Farroupilhas desde o ano de 1984, ano esse em que ocorreu o aniversário de 150 anos da Revolução Farroupilha, portanto a partir da 4ª edição. Porém, esta já acontecia desde 1981 no centro da cidade. Também temos que destacar que durante os anos de 2001 e 2002 houve uma tentativa de retomar os acampamentos no centro da cidade sem êxito, voltando novamente para a sede do CTG. Mas uma coisa muito importante de ser destacada é que existe a lei municipal nº 133 de 29/12/1951 que instituía os festejos farroupilhas no município a partir deste período.

Outros patrões vieram e em 1985 o Minuano teve como 1ª prenda da 17ª RT a Srta Roberta Teston (in memorian) que conquistou o quinto lugar na Ciranda Cultural de Prendas em sua fase estadual. Esta prenda era homenageada com um típico rancho com “fogo de chão” que levava o seu nome, na propriedade do CTG.

O Minuano destaca-se por servir de abrigo para muitas pessoas desabrigadas, devido a sua localização.

Depois da criação da sede, é local para abrigar diversos moradores que necessitavam de proteção durante os períodos de inundação das partes baixas da cidade. Essa situação contribuiu para a destruição de alguns documentos que registravam a história do Minuano, devido a pessoas ficarem por longos períodos alojadas em seu galpão.

O CTG esteve sempre muito ligado à comunidade da Vila Militar, tanto que durante um longo período as dependências eram usadas pela Justiça Eleitoral para as eleições, em todos os níveis, sendo duas (2) urnas (sessões) instaladas para todos os eleitores da comunidade. Outra forma de inserção é que a comunidade religiosa não tinha templo católico e o CTG era usado para a realização de missas por vários anos, até que o templo fosse construído.

Alguns acontecimentos são bastante marcantes, como por exemplo, após ter chegado de um encontro de patrões o senhor Sinval Borges do Cantos, que durante algum tempo levou o nome do CTG e contribuiu para o tradicionalismo em nosso município, acabou falecendo pilchado e foi velado nas dependências deste Centro de Tradições. Também as cinzas de Gabriel Boita, jovem tradicionalista que dançava nas invernadas artísticas, foi trazida para que os familiares apresentassem, em sua memória, aos membros deste templo do tradicionalismo iraiense.

O Minuano CTG tem como lema “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, trecho do hino Rio-grandense onde mostra que somente com trabalho conquistamos importância e relevância, o puro amor aos nossos costumes, usos e tradições.

Possui uma bandeira, constituída de um pano nas cores verde, vermelha e amarela, no sentido transversal, imitante à bandeira do Rio Grande do Sul, tendo no centro um círculo branco, a guisa de escudo, em cujo centro está desenhado, em vermelho, o mapa do Rio Grande do Sul, guarnecida, na parte inferior por dois ramos de palma, em verde. Dentro do mapa está desenhado, em vermelho, um lanceiro índio Charrua a cavalo em situação de combate, e as inscrições, em vermelho: MINUANO CTG, na parte superior do índio, FUNDAÇÃO 14-03 do lado esquerdo do índio e 1949 no lado direito do índio e IRAÍ-RS, abaixo do cavaleiro indígena.

Tem sede própria, localizado na vila militar, rua Eurico Kern, nº 508, esquina com a rua 1º de julho, Vila Militar em Iraí-RS. Sendo o mais antigo da região. Ao longo de sua história fortaleceu e continua fortalecendo cada vez mais o tradicionalismo no norte do estado do Rio Grande do Sul com seus grupos campeiros e artísticos, estando ativo, com cavalgadas, grupos de danças e principalmente, com a organização e execução de vários eventos, um deles é o Remanso Festival da Canção Gaúcha e Nativista, que mostra para a região norte do RS e oeste catarinense o espírito e amor ao cancioneiro típico de nosso Estado, contando também com o Remansinho para estudantes até 13 anos. Suas invernadas Artísticas também são exemplo para a região e mostram a cultura Rio-grandense para além-divisa.